domingo, 27 de março de 2011
Tormenta
Desaguo por dentro,
Numa tentativa de encontrar quem eu sou...
Águas,
tormentas descontroladas por um luar sem céu sem nuvens nem estrelas,
revoltam-se na luta entre o que se é e o que se gostaria ser...
Mas o que sou?
Eu sinto o que vejo – e o que não vejo...
E os outros?
Será que eles conseguem transformar o que sinto em quem sou?
Perco-me ao buscar-me...
Quimeras sentimentais bastariam para eu me encontrar?
Basta!
Cansei-me de ser nada, sendo tudo...
(ou seria um tudo sem nada?)
Oximoro infernal!
Cansei-me desta briga do meu eu com meu lado maternal!!!
(e nesta dicotomia sigo vivendo
Sin llanto, tanpoco aliento...)
domingo, 20 de março de 2011
Cotidiano
No metrô lotado,
uma moça pede informação,
e um homem ao seu lado,
Finge tirar um cochilo
Diante de tanto agito.
Desembarco e respiro aliviada
(Por ter saído de dentro da máquina lotada)...
Sinto o vento frio que atinge o meu rosto,
Vento gelado cortando o vazio.
Olho o céu e seu imenso brilho
Que resplandece em nuvem infinita.
Emociono-me com a paisagem bonita,
Que se despede calmamente do verão.
Vejo o outono que se aproxima,
mudando a paisagem e a estação.
Das árvores, as folhas perdem seu verde,
O amarelado tinge a paisagem.
Pássaros cantam a tocar minha alma e coração,
trazendo saudades, comovendo com emoção.
domingo, 13 de março de 2011
Cansei.
Cansada das notícias ruins,
Dos relatos violentos
de pessoas ao relento.
Estou cansada da falta de preparo,
do destempero, do descaso,
Da falta de educação
Dos indivíduos sem amparo.
Também me canso da ambição descabia
Que exige sem medida
Dos que sofrem sem perdão.
Canso-me da discórdia, das brigas,
Da imposição de minha perfeição!
Sim, casei-me de ser perfeita,
Muralha forte e sem fim.
Estou cansada de não poder sofrer,
De me privar das recaídas,
De ser sempre a altruísta...
Canso-me de me abrir, de me expor
E depois não ter o que foi dito considerado a meu favor.
Canso-me de compartilhar a minha história, sentimentos, sofrimentos...
E me canso porque sei que eles serão jogados na minha cara de uma forma clara,
dolorosa e intensa,
Para reforçar a sentença
que a minha a alma sufocaria
Com tal destreza e maestria.
Estou cansada do lirismo
- seja ele escancarado ou comedido.
Estou cansada das cobranças,
De lembrar-me do que tem que ser esquecido.
Cansei-me de estar cercada por muitos e sentir-me só.
Cansei-me deste coração a dar um nó
Neste peito que a aqui bate,
Lutando por uma vida sem embate.
domingo, 6 de março de 2011
Luar e magnólia
Como se observasse a morte pálida
A chegar sem barulho
Prevendo o orgulho
Da pobre magnólia ingênua que parte.
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