quarta-feira, 22 de julho de 2009

Trajetória anatômica

Palavras me vêm à mente;
Saem do coração;
Percorrem o corpo...
Escapam pela boca que as pronunciam
- ou pelos dedos que as escrevem...

Palavras são recebidas por ouvidos atentos,
Pelos olhos - ávidos leitores -,
E voltam o corpo a percorrerem,
Para serem processadas pelo cérebro
E guardadas na arca do coração

Que as transformam em pedra fria
Ou numa linda canção!

domingo, 12 de julho de 2009

Sem título

Transforma-se o amador na cousa amada
- disse Camões –
Desespera-te por vê-la intrínseca dentro de ti.
Em meio a tormentas,
Em meio a tempestades,
Já não sabes se és pó, terra, chão ou nada.
Então, entrega-te a esse amor
Que te corrói, te alimentas e te destrói.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

O vento


O vento frio traz a lembrança
A lembrança das tardes de verão
Verão de felicidade de criança
Criança que nasceu da escuridão.

O vento frio chicoteia a minha face
Face que se entristece ao lembrar o desenlace
Desenlace de uma história sem final feliz
Em que o coração partido foi apenas um aprendiz.

O vento frio me coloca cara-a-cara
Cara-a-cara com aquele que me desdenhava
Me desdenhava por uma declaração de amor que lhe falara
Falara quando ainda o amava...

O vento frio fez-me perceber
Perceber que essa lembrança me trouxe o perdão
O perdão daquele que me fez sofrer
Sofrer com a mais pura solidão!